Vestida de vedete, Virgínia Lane é velada no Rio

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
A ex-vedete Virgínia Lane, morta na segunda-feira (10) aos 93 anos, foi velada em Piraí (89 km do Rio) e no Rio caracterizada de vedete, vestindo luvas e um maiô e cercada de plumas coloridas. 
Na quarta (10), Lane foi velada na Câmara Municipal de Piraí até a madrugada. 

Corpo da ex-vedete Virgínia Lane é velado nesta quarta no Rio
Segundo o jornal "Folha Vale do Café", familiares e amigos se despediram ao som de "Sassaricando", marchinha que marcou o Carnaval de 1952 e foi o maior sucesso da carreira de Lane. 
Tanto sua caracterização de vedete quanto a homenagem com a marchinha cumprem desejos de Virgínia Lane. Em depoimento ao documentário "As Grandes Vedetes do Brasil", de Neyde Veneziano, ainda em fase de edição, ela disse que, quando morresse, queria que uma banda tocasse a canção em seu enterro. 
"(...) Agora ela descansou e estamos prestando essa homenagem bonita para ela. Do jeito que ela queria, maquiada, com batom vermelho dela, com o esmalte vermelho dela, com as luvas, com o maiô de perolas que ela muito amava. Ela escolheu essa roupa há cinco anos. Ele me disse: filha, quando eu morrer, você me veste com essa roupa. Não me deixa viver sem essa roupa", disse a filha de Lane, Marta Santana, à "Folha Vale do Café". 
Na manhã desta quinta-feira (12), o corpo de Lane foi velado no Palácio Tiradentes, na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). O evento começou às 9h e terminou às 15h30. 
O deputado estadual Paulo Ramos (PSOL) despediu-se de Lane no velório. "Ela representou uma fase importante da cultura brasileira, foi uma precussora, era uma mulher liberal", disse ele. 
"Ela estava muito bonita no velório, muito maquiada, uma coisa maravilhosa de se ver. Ainda ali, com aquela juventude toda. Deram a ela toda dignidade que ela sempre teve." 
O sepultamento do corpo ocorreria na tarde desta quarta no cemitério Memorial do Carmo, no bairro do Caju, no Rio. 
VEDETE DO BRASIL 
Lane morreu na tarde de segunda no Hospital São Camilo, em Volta Redonda (RJ). A causa da morte não foi divulgada. 
No início dos anos 50, Lane recebeu do presidente Getúlio Vargas a faixa de Vedete do Brasil. Ela havia estrelado em 1950 a revista "Muié Macho, Sim Senhor", de Walter Pinto. 
Nas últimas décadas, declarou em entrevistas ter sido amante de Vargas. Em 2012, disse à rádio Globo: "Eu estava na cama com ele quando entraram e mataram ele. Ele foi assassinado". 
Nascida Virgínia Giaccone em 1920, no Rio, Virgínia Lane estreou como "girl" (corista) no Cassino da Urca no final dos anos 30, aos 15 anos, e fez carreira nos anos 40 nas rádios cariocas Mayrink Veiga e Splendid. 
Em 1945, viveu por três anos em Buenos Aires. De volta ao Brasil, estreou no Teatro Carlos Gomes o espetáculo "Um Milhão de Mulheres" e então foi contratada por Walter Pinto, conhecido como "empresário das vedetes". 
Estreou no teatro de revista em 1940. Tinha pouco mais de 1m50 e usava sandálias de plataformas altas. Suas pernas chegaram a ser descritas, na imprensa do Rio, como "espirituais"

FONTE:FOLHA DE SP

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